Fomos “Coisificados”

Todos os dias, cada vez mais me convenço. Não não, não estamos a ser, já fomos. E fomos o quê, perguntam vocês? Eu digo-vos: fomos “coisificados”. Tu e eu, com as nossas doenças, os nossos empregos, a nossa sobrevivência, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso Pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos “coisificados”. Já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como o pobre tipo a quem o terrorista está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da Pátria.

A ti e a mim, estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária chamada Economia ou Sistema Capitalista ou chamem-lhe por exemplo, Juros a sete anos, ou vamos aos mercados, em nome da Economia Financeira. Avançamos com rupturas diárias, massacres diários. E existem fisicamente esses autores desses atentados bem como responsáveis intelectuais dessas acções terroristas que passam impunes entre outras razões, porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas. Uma decisão num escritório em Nova Iorque arruina a vida a uma Mãe do outro lado do mundo.

A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca ou a explosão de viaturas ou edifícios. Ou seja, retira-lhe todo o carácter de pessoa, “coisifica-a”. E uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para um exame ou se está atolado de dívidas e a fazer planos mensais para ver se o dinheiro chega para as despesas normais de sobrevivência. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país e diz “compro” ou “vendo” com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.

Incrível como toda a gente fala da população e das formas muitas vezes nada pacíficas de se indignarem. Falam da violência do rio que tudo arrasta, mas ninguém fala das margens que o comprimem.

Cambada de Filhos da Puta.

Bruno Piairo Teixeira

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