Siddhartha, de Hermann Hesse – Parte I

Li Siddhartha de Hermann Hesse em 2000, reli-o hoje em 2012. Devorei-o. Essa obra que lhe valeu o Prémio Nobel e essa Iluminação que este homem teve na vida ao conseguir escrever tamanha preciosidade. Nem todos têm o privilégio de passar por esta janela de vida neste pequeno tempo que temos, conseguirmos ter uma visão tão profunda e brilhante da vida, do Universo, da eternidade.
Li o livro de cento e poucas páginas em 3 dias. Mergulhei nas suas páginas, viajei, pensei, reflecti, chorei, eu era parte integrante (ainda que indirecta) da história do Brâmane Siddhartha, que nasceu rico e renunciou a todos os seus bens materiais para não se perder na sua essência. Lembrei-me diversas vezes de uma frase de Khalil GibranAquele que nunca conheceu a tristeza, jamais reconhecerá a alegria“. Hermann Hesse consegue transmitir a mensagem inequívoca que, na maioria das vezes, só conseguimos dar valor a determinadas coisas quando vivemos o seu oposto. Que para sabermos o que é algo, temos de saber o que é não ser. Não, não é “quando perdemos algo é que lhe damos valor“. Não. É que, por vezes, para nos elevarmos ao nosso mais elevado nível, é necessário batermos no fundo, vasculhando, vivendo, sofrendo e aprendendo (não foi por acaso que Hermann Hesse se tentou suicidar). Foi daqui que nasceu a Santidade de Siddhartha, esse personagem mítico, Santo, Deus, eu, tu. Todos somos Siddhartha. Todos passamos por esta vida impermanente e temporal em que tudo é tudo e um só.
Delicia-te com a devida atenção quem um dia tiver a sorte de ser inundado pela magia de Siddhartha, esse personagem que no fundo do nosso âmago, todos aspiramos a ser. Todos somos mestres e todos somos alunos.

Bruno Piairo Teixeira

Algumas partes que seleccionei – Esta é a 1ª Parte. I

Escuta Kamala, quando atiras uma pedra à água, ela encontra o caminho mais rápido para o fundo. Acontece o mesmo quando Siddhartha tem um objectivo, uma meta. Siddhartha não faz nada. Espera, pensa, jejua, mas atravessa os assuntos do mundo como a pedra atravessa a água, sem se mexer, deixa-se arrastar e cair. É atraído pelo seu objectivo, pois não consente que entre no seu espírito nada que a ele se oponha. Foi isso que Siddhartha aprendeu com os Samanas; os idiotas chamam-lhe magia e pensam que é causado por demónios. Não há demónios e toda a gente pode alcançar o seu objectivo se souber pensar, esperar e jejuar.

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