Mudar

Não quero passar por esta vida da mesma forma que vim ao mundo e aceitar que nasci assim e que nada posso fazer. Isto é mentira. Confesso, sou muito teimoso por vezes, gosto de saber que não é a 1ª pedra no caminho que me faz virar costas, porque como Pessoa dizia, um dia vou construir um castelo!

Tenho constatado ao longo destes 37 anos que tenho, que, mesmo já sendo mais de 3 décadas, no quadro geral da existência, não passam de um grão de areia. Que pequenos que somos, se a perspectiva for esta. Mas penso que enquanto aqui estiver, é importante fazer o melhor que puder por mim. Bem, deixem-me ser mais claro: fazer o melhor que puder por mim, não é arranjar o emprego que me mantenha feliz, a casa que sempre quis ter ou aquela viagem, OK? Não, não são estas coisas materiais e efémeras, embora saiba que me podem, ainda que minimamente, trazer algum conforto psicológico e considero que estas necessidades básicas estão num dos pilares da estabilidade do ser humano (tendo em conta o sistema em que vivemos). O que quero mesmo trabalhar é interiormente. Trabalhar os desafios que se me aparecem na vida, sejam elas situações ou pessoas com quem lido ou lidei. Trata-se de me mudar internamente. E é aqui é que reside o desafio derradeiro.

Mudar. Todos temos, ainda que inconscientemente, uma aversão à mudança. Penso que é normal no ser humano. Sair da zona de conforto cria inseguranças, mas é onde a vida começa. Mudar algo dá muito mais trabalho do que deixar a coisa andar e usar a desculpa de “nasci assim, quem gosta, gosta, quem não gosta, que coloque à borda do prato”. Sem pejora nenhuma para quem vive com estas desculpas, vou fazer valer o meu direito de achar que isto é uma forma muito tacanha de viver a vida. Onde quero chegar? Bom, digamos assim: Olhar para dentro dói. Mudar é difícil e requer muita paciência e trabalho árduo. Mas é compensador. A minha viagem por este mundo não vai ser apenas a olhar para fora. Porque quem olha para fora sonha, mas quem olha para dentro desperta. Cada um trava as suas batalhas internas. Uns escolhem olhá-las de frente e enfrentam-nas efectivamente, outros escolhem ignorar ou nem se apercebem delas e a vida coloca-os sempre perante situações que mais cedo ou mais tarde, os irão obrigar a olhar para as coisas. São escolhas. E cada escolha tem um caminho e leva a um destino.

Mas quero falar aqui mesmo é da minha escolha. Eu escolhi não viver sobre o lema que atrás estava exposto. A partir de uma determinada altura da minha vida, passei a dar uma importância fulcral à pessoa em que me havia tornado. Daí, surgiu uma imensa vontade de trabalhar imensas coisas que tinha (e ainda tenho) dentro de mim. Não é extingui-las, é mudá-las, para melhor. Por exemplo: orgulho. Não ter orgulho é tão mau como o é tê-lo em excesso. É importante assumir orgulho perante algumas situações como é importante não manter essa postura para tudo. O orgulho é só um exemplo. Porque entre outros temas, como Ego, Vingança, Desapego, Inseguranças, Auto-Estima, etc., a vida coloca-nos à prova e nós podemos escolher sempre trabalhar esses sintomas, perceber as suas causas e tratá-las da melhor forma. Sim, o difícil é sacudir o capote de tudo isto e embarcar na viagem. Mas o importante é também o destino, não apenas a estrada que trilha essa viagem! Até lá, eu quero trabalhar temas destes em mim de forma a sentir sucesso e realização pessoais. Passar por aqui e achar que em nada melhorei enquanto pessoa nos ingredientes que me compõem enquanto ser humano, será uma derrota pessoal. Quero pelo menos tentar e saber que tentei. O problema nunca será a eventualidade de não ter conseguido mas nunca sequer ter tentado. E tentei. Porque me disponho a isso todos os dias. É difícil sim, bastante mesmo, é um processo e não um estalar de dedos, mas ainda assim é preciso este sentimento de realização e de aceitação quando o esforço é maior que a recompensa.

Quero deixar claro, a título de remate final, que não é a questão de ter nascido um cão e eu querer que ele seja um gato, ou eu achar que um Lótus um dia será um Rosa. Não. É apenas, mantendo ainda a minha natureza única enquanto ser físico e espiritual neste mundo, me dediquei a trabalhar para mim nestas peças internas e que ao fazer isso, estou automaticamente a ser melhor para com quem me rodeia a todos os níveis e estarei mais forte e experiente.

É engraçado que todos tenhamos alta admiração por algumas figuras de monges e mestres, mas esquecemos que todos os dias a vida nos coloca em posição de assumirmos esses monges ou mestres e deixamos escapar como grãos de areia por entre os dedos, a possibilidade de nos elevarmos a um patamar maior na nossa consciência. No fundo todos somos Mestres e todos somos Alunos. Fraquezas? Imensas! Frustrações? Sim, claro! Sonhos? Uiiii, tantos! Desejo de conseguir? Óbvio! Se vou ou não conseguir? Não sei, se não experimentar, não vou saber, mas quero ter pelo menos o prazer de saber que tentei.

Da próxima vez que alguma coisa acontecer, experimenta ver se isso já te aconteceu. Se sim, pensa se não é uma mensagem para te fazer ver que há coisas que terás de lidar com e esse é de facto o desafio. Se te apareceu pela 1ª vez, entende que pode ser uma forma de alerta que, podes logo tratar, ou, se ignorares, mais tarde poderá voltar a aparecer. Todos os dias vamos à escola. A escola da vida. Temos tantas disciplinas e são tão variadas que não é possível as mesmas pessoas estarem a ter as mesmas aulas e a falar das mesmas matérias. A questão é que só passamos a outras aulas e a outras matérias quando resolvermos as questões e problemas que se nos depararam nessas aulas antes. Umas pessoas são repetentes enquanto não resolverem esses temas, outras avançam com mais rapidez. O importante é ir aprendendo com tudo, com as pessoas, com as situações, connosco e com o Universo.

O objectivo é estar mais maduro, trabalhar o que me incomoda interiormente e saber lidar melhor com situações, alcançando mais força e paralelamente mais paz interior, não é eliminar defeitos por completo. Até porque eliminar defeitos é muito perigoso, pois nunca se sabe se não é um defeito que sustenta todo o nosso ser.

Namaste!

Bruno Piairo Teixeira

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