Um Apelo à Genuinidade

OK. Eu compreendo as máscaras que as pessoas usam, não me interpretem mal. Eu também o faço por vezes, afinal, é mais seguro, mais prudente, é uma maior defesa, etc.. Mas cuidado. Um dia descobrimos que não conseguimos parar de usar essa máscara. Enferrujou. Fingimos ser tudo menos nós mesmos. Já nos esquecemos de quem somos por trás dessa máscara e passamos a encarnar o personagem que, queiramos ou não, não se sustém por muito tempo.

Depois andamos em planos de Marketing. “Aparento isto”, “Sou Aquilo”, “Encaixo aqui”, “Isto serve-me por agora”, “Tomara que não me descubram as inseguranças e fragilidades com as quais vivi desde criança porque afinal, tenho uma reputação a manter”, “A imagem vale tudo”, Etc. Lembra-me um amigo meu que dizia nos concertos que dava “Toda a gente quer falar contigo, mas ninguém te quer CONHECER“.

E a cada dia que passa, somos forçados a agir assim. As pessoas têm medo de mostrar como são na sua genuinidade. Temem mais que entendamos que têm fraquezas e afinal, mostram aquilo que os outros acham que elas são.

Levantar troféus, rir desalmadamente, mostrar o sucesso de que “eu cheguei aqui” são medalhas e prémios que exibem com bravura e sem pudor. Agora mostrar que sofrem, que estão tristes ou que são sensíveis e precisam de chorar quando se tapam com um sorriso, eis o dilema. Isso não se consegue, estamos formatados a esconder as tristezas e a exibir as conquistas e as felicidades. Mas a vida é feita de ambas. Umas não existem sem as outras, como o Dia não existe sem a Noite. Como o “Sim” não faz sentido sem o “Não”.

Eu apelo à genuinidade. Eu posso perder tudo, mas perder a genuinidade que carrego, escondendo quem eu sou, podendo esquecer-me de quem sou, é perder vida. E isso não tolerarei em mim mesmo, porque o tempo não é um recurso inesgotável.

A maioria das pessoas com quem me relaciono nunca foram livres na sua vida inteira. Por dentro sempre se perseguiram. Muitas tornaram-se intoleráveis para com elas mesmas, vivendo numa dualidade dilacerante. Têm uma aparente liberdade mas estão presas dentro delas.

Mas eu, eu prefiro um sofrimento genuíno do que um prazer forçado.

Bruno Piairo Teixeira

5 Responses to “Um Apelo à Genuinidade”

  1. Partilho da tua opinião meu caro Teixeira. E em forma de complemento às tuas ideias: já reparaste que ninguém tira fotos em momento de dor? O sofrimento, o insucesso, a inglória…tudo é banido da janela da sociedade. Só a aparência do bom, da alegria, do sucesso e da risada é passível de ser aceite e dividido. Ah como nos enganamos a nós próprios.

  2. Ola parabens pelos textos excelentes e verdadeiros, olha tomei a liberdade de postar este texto em meu blog, espero que não aches ruim ok, grande abraço.
    vanderlei

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