O Fracasso Como Um Exercício, O Sucesso Como Um Obstáculo

Ao falharmos na tentativa de atingirmos os nossos objectivos, conseguimos atingir algo ainda mais valioso, a experiência de termos dado tudo. Mas existem outras formas de definir fracasso. O fracasso é relativo, está condicionado aos standards do que julgamos ser o sucesso. Conseguir falhar sem qualquer medo perante outros é uma das perícias mais difíceis em nos tornarmos mestres, mas falhar perante nós mesmos sem vergonha consegue ser de um nível ainda mais elevado.

Não é por acaso que nos momentos de maior fracasso saem as melhores músicas, letras, livros, quadros e limites. Falha uma vez e parecer-te-á o fim do mundo. Vive através desse fim do mundo e aprenderás qual o teu nível de duração e persistência.

Contudo, é importante saber que batalhas não ganhar, que chamadas não atender. Existem vitórias que por vezes são mais humilhantes do que algumas derrotas e algumas derrotas são triunfos disfarçados de fiascos…

E às vezes não se conseguir o que se quer pode ser um maravilhoso golpe de sorte…

A nossa vida inteira fomos ensinados que a Classe Trabalhadora é composta de derrotas, derrotados que não tentaram o suficiente ou que não estudaram o suficiente ou na melhor das hipóteses, não tiveram uma oportunidade justa para os tirar do ringue da derrota.

E esse sucesso que vendem, que te medem pelo cargo que tens, pelo salário que auferes, pelo carro que conduzes, pela forma como pareces, é tudo insegurança e distracção. E criam-te essa insegurança porque na verdade sabes que não serás aceite pelos outros se fores apenas tudo o contrário aos indicadores de sucesso criados pelo sistema que nos gere. É estranho mas sentes que tens de ser assim, aquele corpo, roupa, status, carro, tudo. Admite, sentes a pressão? Confessa. A maioria anda desesperada por ser aceite, esforça-se por encaixar, afinal, quem quer estar à margem? Estamos completamente viciados em ser o número 1. As mentiras que dizemos e os jogos que jogamos para sermos o tal ou a tal. Gigantes com pés de barro.

Não admira que estejamos cada vez mais fúteis e distraídos.

A nossa civilização é uma de derrotados. Confrontados com ideais impossíveis de beleza e de perfeição traçados para nós, falhamos sem falharmos. Este é um segredo aberto, aliás, é o segredo aberto da nossa era: ninguém, mas ninguém, é um vencedor sempre. Quanto mais rápido corrermos atrás destas características, mais rapidamente elas recuam do nosso domínio. É por isso que os Bodybuilders e as modelos são muito mais inseguras dos seus corpos do que nós, é por isso que os milionários lêem livros acerca de como serem mais eficientes. Se és tão bem sucedido, então o que se passa com esses anti-depressivos?

Encara – nunca te vais parecer com aquel@s modelos das revistas, mesmo que passes a vida inteira a trabalhar para isso. Nem mesmo elas se parecem como querem quando tiram a maquilhagem toda. E pego nesta analogia para te dizer que, a não ser que admitas as tuas falhas como pessoa, física e psicologicamente, é que te irás libertar para te tornares em outra pessoa diferente!

Mas mesmo que os teus sonhos se tornem realidade, é possível que ainda assim venhas a falhar muitas vezes, afinal estás viv@. Se estás de saúde, corres o risco de ficar doente, se estás alegre corres o risco de ficar triste, se estás bem corres o risco de estares mal passados uns dias. A vida é um conjunto de acontecimentos previsíveis ou imprevisíveis mas os quais são numa maioria das vezes condicionados pelas nossas acções. Não podemos ser tão ingénuos ao ponto de acharmos que não comandamos nada e que tudo é fruto do acaso. Tu não sabes o teu futuro, mas o que fazes hoje tem resultados amanhã. É uma lei de Karma, como a filosofia budista tão bem ilustra, causa-efeito, para cada acção, há uma reacção. E a vida, não é novidade, é feita de riscos.

Falhar é bom em vários sentidos. Testa as tuas capacidades, traça fronteiras entre o que consegues e não consegues fazer, o que podes e não podes ser. Admite perante ti, “eu não sou bom/boa a fazer isto”. Porque não somos bons em tudo. Temos talentos natos como todos os outros. Falhar em algo que queremos pode delimitar imensas vezes o que queres seguir e o que deves ou não enveredar por, de que caminho te deves desviar.

Uma das questões que mais me fazia ficar triste era quando os meus Pais me perguntavam “o que é que queres fazer com a tua vida?”. E o pior é que eu nunca sabia responder. Nunca tinha pensado a sério nesse aspecto. Os meus Pais não me obrigaram a viver os sonhos que eles não conseguiram realizar. Sabiam que eu tenho os meus e que a vida é minha e eu quero sonhá-la por mim.

Para mim, é verdadeiramente importante ter algo consistentemente definido acerca do que eu quero da minha vida e do que estou disposto a fazer dela, até onde me disponho a ir. Não a teoria mental, do “eu gostaria”, mas sim aquela do “eu quero e vou-me esforçar verdadeiramente por isso em termos práticos”. Eu esboço imensos planos acerca do que eu gostaria, ideias, etc., mas no fundo, são ideias. Mais tarde, ao analisá-las, não passaram de esboços, ficaram por aí, eu não me esforcei em termos práticos por atingi-las. Isto é para mim, um pilar. E sim, se não der certo o plano estou totalmente aberto à espontaneidade.

Seguindo, eu rapidamente descobri que o meu medo de falhar existe apenas nas minhas superstições do que o sucesso é realmente, e aqui, como já disse, depende do que consideramos sucesso. Para mim sucesso é fazer o máximo e o melhor com tudo o que possuo, que a vida me ofereceu, que a vida me deu de presente. E agradeço a todo o instante, as lições que tenho vindo a aprender, nas aulas que todos os dias a vida me dá.

Quero desafiar a realidade, os meus sonhos, o meu conforto, a minha segurança, os meus objectivos, o meu ser, sair do meu casulo, da minha zona de conforto, expandir horizontes, ultrapassar limites. Só assim poderei saber quais as minhas limitações, os meus erros, os meus remendos, as minhas missões. Só assim saberei melhor quem sou e o que faço aqui e que caminho quero traçar para esta duração que tem a minha vida. Não pedi para nascer e não sei quando vou morrer, há que aproveitar o intervalo e viajar.

Quero ver de perto, microscopicamente.

Quero ver o fracasso como um exercício, o sucesso como um obstáculo! Desafiar conceitos e perspectivas!

Bruno Piairo Teixeira

One Response to “O Fracasso Como Um Exercício, O Sucesso Como Um Obstáculo”

  1. Meu querido Bruno,

    Fiquei emocionada ao ler estas tuas linhas.
    Como me revejo em muitas das situações que descreves…
    É uma grande verdade a de termos missões, eu pelo menos, acredito nisso e sinto muitas vezes que não é fácil, mas penso que, também, não é suposto ser fácil, e muito necessário aprendermos às lições que a vida nos oferece.
    E sim, partilho a opinião de que nos devemos aceitar como somos, isto é, as nossas limitações, mas procurarmos sempre fazer melhor, se nos for possível e não querermos ser como A, B ou C, porque são ícones de Beleza, Sucesso, etc.

    Beijinhos para ti,

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