O Que Farias Se Tivesses Apenas 24 Horas Para Viver?

Viver ao máximo é difícil.

Se tivesses apenas 24 Horas para viver, o que farias nesse período de tempo?

As frases Carpe Diem, Seize The Day, etc., são hinos presentes nas nossas mentes, há que aproveitar, afinal, o relógio que conta os segundos das nossas vidas encontra-se em constante contagem decrescente. E não pára nunca, nem pelas nossas perdas, nem pelas nossas alegrias. O que fazemos com o nosso tempo é da nossa inteira responsabilidade, por isso, há que aproveitar da forma que melhor acharmos. Mas se chegarmos ao fim do dia e nos questionarmos “vivi hoje como se fosse o último dia da minha vida?”, a resposta é um redondo “não”. Ninguém faz isso, é totalmente impossível trazer constantemente presente que a nossa hora vai chegar e pode chegar a qualquer momento. Sim, é apocalíptico, dramático até se quisermos, mas verdade. Talvez a única certeza que temos. Aquela que nos diz que vivemos como se nunca fossemos morrer mas morremos sem nunca termos vivido tudo o que gostaríamos. Não há tempo. Nós sabemos disso.

O tempo que perdemos diariamente no local onde labutamos é uma prova viva que estamos no lugar mais distante de aproveitarmos a vida ao máximo. Ou não, depende, se por acaso acharmos que a vida é mesmo isto, trabalho, paixão, loucura pela gaiola de ouro em troca de um valor monetário onde vendemos a nossa inteligência e criatividade em quem nos vê como uma estatística. Não entendemos, aliás, melhor, contestamos. A vida é sem dúvida mais que isso, muito mais. Mas paradoxalmente, até entendemos. Precisamos, certo? Sim, nós sabemos. Mas então quem é mais prisioneiro? Aquele que está atrás das grades ou que se sujeita a deixar de viver apenas porque está preso a uma casa, a um carro, a uma dívida, a um status? Anos e anos. Não vejo a diferença. Aliás, vejo, talvez um acto seja desprezível comparado com outro, mas na verdade, estamos todos a cumprir penas, uns por erros, outros por opções.

Por isso o que nos resta é, viver ao máximo dentro da fronteira que consideramos como máximo. Apenas como um exemplo do viver e aproveitar bem, é a de deixar uma mensagem clara, é trazer sempre presente que não quero ir embora deste mundo material sem dizer a todas as pessoas que respeito, prezo e carrego no meu coração o quanto estas são importantes para mim e o quanto as amo e amarei muito para além desta vida. É uma forma de me despedir delas um dia sem ter deixado nada por dizer.

Mas no fundo no fundo, mesmo apesar de ter a noção que não aproveitarei nunca a vida ao máximo, eu aceito a derrota de cabeça erguida, eu sei que vou falhar na verdadeira missão final do “viver como se fosse o último dia da minha vida”, não vou viver tudo o que anseio, que preciso, que gostaria, que me preencheria. Não nestas 24 horas que me restam.

Precisamos de catástrofes nas nossas vidas para podermos aproveitar melhor o tempo que nos resta. É brutal, mas é verdade. Depois dos murros e encontrões que levamos da vida e das pessoas, dos medos que nos assolam e da porrada que nos fere, residem os nossos maiores crescimentos e abrem-se as melhores portas e janelas à espreita de te colocarem no questionamento do que aqui fazemos nesta parte da vida, neste momento presente que por vezes é tão confuso.

Precisamos de abanões e tempestades para sairmos da letargia em que as nossas vidas se tornaram, egoisticamente fúteis, trivialmente vazias, desprovidas de paixão daquela que ferve ao falar-se de paixões assolapadas de pessoas e recordações, de filhos e amigos e pais e épocas e livros e beijos e sensações e bondades e etc. etc. etc., de palavras excelentes, de pensamentos utópicos, de sonhos irrealizáveis, de renascer das cinzas. Precisamos do fim do mundo para aproveitar as 24 Horas que nos restam.

Continuarei todos os dias de manhã a agradecer o facto de viver mais um dia e de dizer: “estou aberto a todas as possibilidades que a vida me oferece hoje. Para que eu possa aproveitar o tempo que me resta.”

Não há tempo para “ses”, não há tempo para “mas”.
Estes são os primeiros momentos do resto das nossas vidas.

Bruno Piairo Teixeira

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: