Como Se Tornam Estranhos

Como se tornam estranhos estes estágios constantes da vida.
E tudo muda. Este estado constante de impermanência, do hoje, do amanhã, do que foi, do que será, em tudo. O cabelo branqueia, as rugas aparecem, o hábito desaparece e outro toma o lugar do que foi, o apego torna-se maior ou menor, hoje este momento, amanhã outro, depois sózinh@s, outro dia num lugar, daqui a uns meses noutra situação, pessoal, profissional, familiar, financeira, escolhe tu. Incrível como nada é constante. Um dos principais ensinamentos do Budismo é este estado de impermanência. Já diziam os grandes Portugueses, embora limitativamente ao que ao verdadeiro estado de impermanência se refere, “Não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe”. Tudo, implicitamente tudo, se transforma, nada permanece. O que hoje é certo, amanhã é estranho. Como tanto do que vivemos não passam de lembranças, lições, pesadelos, momentos, alegres, tristes, de paixão, de luta. Em cada traço desta cara passa uma vida. Em cada lágrima derramada esvaem-se sentimentos de perda e alegria. Em cada sorriso, uma sensação de liberdade, paradoxalmente, de impermanência. E voltamos a viver tudo em cores diferentes, com personagens diferentes, mas nada, jamais, se mantém. Mesmo o Amor pelos nossos Pais ou Filhos ou Amig@s, tudo muda, amamos de formas diferentes, em conceitos diferentes, em proporções diferentes. O segundo em que comecei a escrever já não é este onde vou linhas depois, o momento foi e olhando para trás sinto que pode, no final deste interregno, tudo se ter tornado estranho. Escrevo hoje acerca de pessoas que conheci, de momentos que ilusoriamente pensei poder eternizar, de cicatrizes que pensei nunca poder sanar, de amigos que já não estão e que encontrarei mais para a frente, de sonhos que não realizei na altura certa, de destinos que mudei, de Karmas em que interferi, de viagens que terei de fazer, dentro e fora de mim, escrevi sobre mim, sobre ti, sobre nós. Escolhe uma marca neste coração e contar-te-ei uma história. Do que fui, do que sou, do que serei. Do que senti, do que sentirei, em quem me tornarei depois do que o meu corpo já não fizer o que o cérebro comanda. Ontem não muda, apenas muda a percepção do que foi. Hoje é mudança. Amanhã um mistério. Desliga-te dos resultados, nada sabemos do que somos nem do que seremos. Amanhã és uma pessoa diferente. E eu também.

Bruno Piairo Teixeira

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