Israel, por Nuno Filipe

Tive muita relutância em escrever sobre este assunto. E admito que, à medida que me debruço sobre o teclado para alinhavar as palavras ainda sinto relutância em escrever. Há coisas que não contribuem em nada na nossa felicidade. Escrevo pesaroso, escrevo, sinceramente, com algum medo. Não porque receie consequências físicas ou políticas do acto de dar uma opinião. Afinal, sou apenas mais um num mar de opiniões que oscila conforme as marés. Antes porque receio, nesta altura, um confronto ideológico, quando não tenho qualquer ideologia de confronto.

Mas tenho de escrever. O assunto, como podem por esta altura imaginar, é aquilo que se passou ao largo da Faixa de Gaza.

Perante mais um acto bárbaro por parte de Israel, a minha surpresa foi exactamente nenhuma. Perante uma comunidade internacional sedada e comprada, apenas posso escrever da forma mais irónica que me consigo lembrar. Felizmente esta (nossa) comunidade é muito corajosa. Até que chega ao nível do governo, onde rapidamente se diluí.

Israel, não como país mas como nação, sofreu horrores na 2ªGuerra Mundial.
Igualmente a Palestina, não como país, mas como nação, está a sofrer horrores hoje, e constantemente há cerca de 50 anos. São comparáveis? Talvez não, ou talvez ainda não, ou talvez nunca de forma alguma. Poucos saberão que os judeus Sionistas venderam os seus próprios que se recusavam a migrar para a “terra prometida” ao regime Nazi. Mas mortes são mortes, e ao contrário de muitos por aí, lamento-as, sejam de judeus ou de árabes. Os árabes, dizem por aí, têm a mania das bombas e dos atentados. É verdade. Como os irlandeses, que conquistaram assim a sua independência, ou os bascos. Ou os tchetchenos. Sejam lá quem forem. Até Viriato foi considerado pelo Senado Romano como “terrorista”. Os israelitas, é verdade, são muito mais honestos. Matam sem recurso a atentados. Matam às claras e nem se importam muito com isso. Afinal, e é bem verdade, o pior é para quem morre, não para quem fica.

Sendo um país forjado pelas potências dominantes na região após a Grande Guerra, Israel assenta a sua existência em razões histórico-religiosas, nomeadamente a ocupação do território da Palestina há cerca de 3000 anos atrás, antes ocupado por um povo chamado filisteu – filistini, em árabe, que quer dizer palestino.
O que me leva a pensar que talvez os italianos queiram fundar uma extensão aqui em Portugal, uma vez que ocuparam o território há bem menos tempo.
Ou os árabes, que também cá estiveram a ocupar isto.
Preparem-se, pode acontecer, por razões históricas!!!
Independentemente das razões, Israel existe e tem direito a existir. Não é bom nem é mau, é a realidade. As duas faixas azuis da sua bandeira, simbolizando o Nilo e o Eufrates, indicam, ao fim e ao cabo, a pretensão territorial israelita, esquecida (ou talvez não) com o tempo. Assim como a Palestina existe e tem o direito de existir. Aliás, já existia muito antes de existir Israel. E esse direito é supremo.
Gaza está sujeita a um bloqueio. Israel quer prevenir que entrem armas no território, armas essas que estarão obviamente apontadas pelo Hamas à sua garganta. As amizades são coisas interessantes. Ou seja, o movimento palestiniano criado e suportado pelo estado de Israel para combater a AP é agora o seu maior inimigo. Lembra o Bin Laden. Independentemente das razões para o bloqueio, seguido até ontem pelo Egipto, que agora abriu a fronteira com Gaza, este deve cingir-se às águas territoriais israelitas. Isto levanta uma série de problemas.
Primeiro, Gaza tem direito a ter águas territoriais? Se tem, não pode ser bloqueada, perante o direito internacional. Se não tem, então é território integrante de Israel, o que confirma ocupação. Das duas uma, e isto nem é racional, é direito. Por outro lado, pode Israel impedir que um navio atraque em Gaza, partindo do princípio que se assume como potência ocupante. Mas pode invadi-lo fora das suas águas territoriais? Será que a Marinha Portuguesa pode abordar um navio espanhol fora das águas portuguesas? Não me parece.

O que leva à brilhante conclusão do costume: e que tem Israel a ver com o resto do Mundo e o Direito Internacional? Muito pouco ou nada, uma vez que nunca teve. Nunca acatou sequer as resoluções da ONU, portanto porque se iria agora vergar ao Direito Internacional? Mais uma vez, nesse aspecto, uma notável semelhança com o Hamas. Por outro lado, houve resistência por parte dos tripulantes do navio. Coisa inédita, esta de haver resistência! Um navio em águas internacionais. Sendo assim, podem fazer o que muito bem entenderem e lhes der na real gana, mesmo fora do seu país. É uma conclusão brilhante, mas óbvia. E sem surpresa. É invadido por militares e não pode haver resistência, uma vez que as tropas que abordaram o navio eram israelitas, ou seja, não estão sob a alçada do Direito Internacional

E agora vem a parte engraçada:

A surpresa aqui vai para os atacados, que ofereceram resistência à invasão de uma propriedade sua, em águas internacionais. Não eram, na sua maioria, árabes. Turcos, espanhóis, italianos, enfim… 60 nacionalidades diferentes. Parece que agora também os simpatizantes da causa palestiniana estão sujeitos à mesma sorte que os mesmos. Daí o meu medo. Obviamente, Israel e o seu governo, no meio disto tudo, é a vítima. É sempre a vítima. Será sempre a vítima. Poucas horas após o incidente, já clamavam que eram vítimas. São sempre, também não há grande novidade aqui.

E são vítimas dos palestinianos, dos árabes, do Irão, do Hamas e do Hezbollah, mas também da comunidade internacional. Qualquer simpatizante da causa palestiniana é um perigoso comunista inveterado, próximo do regime norte-coreano. Portanto, os israelitas são vítimas do comunismo internacional, da extrema-esquerda europeia, de todos esses vampiros que só ganham em pseudodefender a pseudocausa palestiniana. Basta olhar para mim, estou absolutamente rico com a minha posição. Não têm conta os milhões de euros que já recebi só por ter esta opinião. Sou perigoso, um terrorista em potência, provavelmente devia era estar em Guantanamo. Sou um perigoso activista terrorista de extrema esquerda rico com a miséria do povo palestiniano… Que posso fazer? Já me fizeram assim…

Há um ditado que diz mais ou menos isto: “se matares um, és assassino, se matares muitos, és um conquistador, mas se os matares a todos, és um deus!” Se matarmos todos aqueles que ainda têm consciência humanitária, talvez os problemas de Israel acabem…

Já agora, foram encontradas armas nos navios?

Nuno Filipe

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