Mário Baleiras

Ligaram-me agora. A minha cara ainda está salgada…os dedos tremem, o queixo não pára quieto. Tou a deixar a água sair…
A vida leva sempre os bons. De todos nós daquele ano, a vida levou o melhor.
Sentava-se ao meu lado na escola e agora que escrevo estas palavras quase que o sinto aqui ao meu lado, a fazer-me rir como o fazia tão bem.

Quando soube que ele tinha Leucemia, nem consegui falar com ele. Aliás, nunca falámos sobre isso. E sempre que estava perto dele, era como se eu pensasse se seria a última vez. Ele não falava da doença comigo nem eu com ele, mas ambos sabíamos que sabíamos e as palavras não eram precisas. A força com que ele encarava aquilo! Os tratamentos a que era sujeito, a bravura e o esforço com que ele liderava a sua vida neste estágio doloroso!

De facto, não é qualquer sistema emocional que aguenta estas perdas ao longo dos anos, tantos amigos a irem e a gente a ficar. Tenho medo de me habituar a estas dores.

E daqui a uns dias, irei enterrar mais um amigo.

Costumo pensar nestas horas que as pessoas só morrem verdadeiramente quando deixamos de nos lembrar delas. É uma forma de aliviar a dôr.

Encontramo-nos no fim da estrada meu querido amigo, a minha hora também chegará.

As saudades vão ser tantas que nem caberão neste peito.

Descansa em paz querido amigo. Amo-te com todo o meu ser.

Bruno Piairo Teixeira

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: