Prazer Em Ser Diferente de Ti.

Disse o que sentia, não me acovardei, disse sempre o que pensei e sempre pensei no que disse. Sim, errei, imensas vezes, ao longo desta caminhada. Em 34 anos, quem não erra? Mas porque tentei, porque não desisti, porque sou imperfeito e lutador. Porque o único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário. E na procura desse sucesso, os erros são as pedras com as quais um dia construirei o castelo que Fernando Pessoa disse num dos seus belos e comoventes poemas.

Às vezes não se trata do caminho que deves seguir. Trata-se do qual te deves desviar.
Adoro esta frase.
Já alguma vez pensaste que não sabes o que queres mas sabes exactamente o que não queres? Por exclusão de partes, não saber o que se quer mas saber-se o que não se quer, é quase sair vitorioso de um qualquer muro que se erga à nossa frente. É como uma ponte. E as pessoas sentem-se sós porque constroem muros em vez de pontes.

Registei hoje o que não quero. De ti, dos outros, de mim. De mim eu posso controlar, posso manipular, livrar-me da dor sem no entanto fugir dela. Quanto mais fugir e não esmiuçar, mais esse fardo pesa. E como dizem os Blindfold Como posso caminhar mais depressa se carrego tanto às costas?”. Não, não quero auditorias do ano passado ou de outros tempos, porque apenas servem de referência e arquivo, não voltam mais, mas podem repetir-se e quando se repetem, ui. Uma vez é uma lição, duas vezes é um erro. Mas antes arrepender-me por fazer do que por não ter feito. Assim o fantasma do como poderia ter sido não me persegue. E agora sei. “E no fim das contas só iria piorar”, dizem os Dead Fish.

Custa caro ser assim, é doloroso. Mas toda essa dor valerá a pena. Daqui a algum tempo importará? Acho que não. Lembro-me que esquecemos o que nos fazem, perdoamos e perdoam-nos a maioria das vezes, mas jamais, jamais nos esquecemos de como nos fizeram sentir.

E se ser diferente de ti que me lês, é expor-me desta maneira num espaço que criei para mim, para explicar que sou muito mais do que este corpo e que nunca me vi como um utensílio para ser usado por alguém, então prazer em conhecer-te. Sou o Bruno, diferente de ti.
E se ser diferente de ti que me lês, é saber exactamente o que anseio por não ter ou não me tornar em determinada pessoa, então pela 2ª vez, prazer em conhecer-te.

O guerreiro da luz olha a vida com doçura e firmeza. Está diante de um mistério, cuja resposta encontrará um dia.
Aceito o que a vida me oferece e procuro beber das taças que estão à minha frente. Todos os vinhos devem ser bebidos – uns apenas um golo, outros, a garrafa inteira. Eu prefiro sumo porque não gosto de álcool. Prazer em ser diferente de ti.

Bruno Piairo Teixeira

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