Fizeste Tudo o Que Estava ao Teu Alcance?

Fizeste tudo o que estava ao teu alcance? Deu-me assim de repente hoje. Daqueles que obrigatoriamente tinha de o colocar em palavras.

Posso sugerir que te perguntes sobre isto quando passares por algo que não resultou, que te desafiou mas cujos resultados não atingiste, que te possa ter trazido mágoa, dor, indignação, saudade, whatever. E responde. Fiz hoje esta pergunta porque hoje era mesmo o dia ideal. E a resposta está abaixo.

Este sou eu hoje, uma parte apenas, é o que se vê a olho nu. Sou o mesmo mas nem sempre serei o mesmo (pôrra, admito que adoro esta frase feita).

Eu fiz, tudo. Podia ter feito menos até, para não me sentir com aquele sentimento “dei tanto, dediquei-me tanto que entrei em falência emocional” e quase me perdi de mim mesmo. Mas estou tão descansado, estive sempre tão disponível, tão bondoso, tão comunicativo, tão à espera que vissem o meu verdadeiro “eu” e que se apaixonassem por mim, que apenas tenho pena que não hajam lentes de contacto que vejam para além do corpo físico ou de uma qualquer necessidade momentânea mas perversa da companhia de alguém. Encontro-me mentalmente descansado, ando de cabeça erguida, sorrio com gosto e não tapo nada, não há fingimento, só genuinidade, o que quer dizer que eu continuo a ser eu e gosto de ser assim, isto é, não ser um actor. Não, calma, calma, não sou o tal, o exemplo, o perfeito, ui, que exagero. Sou apenas alguém que se esforçou proporcionalmente de acordo com o que senti. E isso todos fazemos. Lembro-me do principezinho “foi o tempo que perdeste com a tua rosa que a tornou tão importante”. E senti muito. Mas daqui, só resta um “obrigado por tudo”. Porque hoje sou melhor que ontem e aprendi matéria interessantíssima. Hoje vejo melhor, dou atenção a outras pessoas, acontecimentos, à vida que está a acontecer. E descobri que não vivo uma vida tacanha e a felicidade que por aqui habita enche este coração, enche tanto que tenho de dar, dar, dar, dar de mim, do que aprendi e vivi, partilhando e contando histórias tão minhas e que são as tuas também porque passamos todos pelo mesmo com personagens diferentes e em tempos diferentes.

Engraçado como nos habituamos fisicamente à presença de alguém até que um dia olharmos para essa pessoa e descobrimos que deixámos de a reconhecer.

Temo pelos corações superficiais, que não se apercebem do impacto que causam, das dores que podiam ser evitadas se ao menos pudéssemos escolher uma forma boa de lidar com assuntos dolorosos. Há quem tenha jeito, há quem não tenha. Mas tranquilo, quem vier, que será enorme, não pagará por nada do que não me deram, apenas saberei amar ainda melhor.

Bruno Piairo Teixeira

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