Uma Questão de Equilíbrio

Diz-me uma grande amiga no meio de uma conversa das boas:

Não voltas mais a ser a mesma pessoa. Continuas a ser tu mesmo mas não és mais a mesma pessoa. Antes, eu pensava que tudo era uma fase e que depois acalmaria, eu mesma dizia que era tempo de parar. Mas sempre aparecia outra fase e outra e outra e ia deixando as coisas importantes para trás, aquelas que duram e perduram verdadeiramente, como os tesouros de pessoas que tens na tua vida (pensa em qualquer uma que te inspire ou que te faça sorrir apenas por ela existir) e os valores que te fazem bem. Comecei a viver mais para as coisas e limitava o meu tempo à minha esfera pessoal, só eu interessava, o que eu queria e o que me preenchia, nada mais. Se eu perguntasse se estava tudo bem a alguém, queria lá saber se a resposta que me davam era sim ou não. Isso não interessava, eu não queria ouvir, problemas não precisava, “pernas para que te quero deles!”, fugia deles, pura e simplesmente. Só queria a minha esfera confortável, doesse a quem doesse.

Mas um dia caí em mim. E o que me doeu não foi ter seguido a minha vida e o que eu queria, porque é natural que cada um lute por ser feliz. Mas o que me doeu mais foi aperceber-me de como tinha sido para as pessoas que me rodeavam. Só que elas já não estavam comigo. A crueldade do meu egoísmo e a incessante correria de fugir de problemas e procurar ser feliz a todo o custo fez com que eu perdesse pessoas verdadeiramente importantes para mim.
Eu só queria que as coisas fluíssem mas na verdade eu mesma não deixava fluir nada, eu limitava-me a mim mesma com o espaço que tinha na agenda para estar com pessoas que tinha fora da minha vida profissional. As coisas fluíam sim, mas só para mim. Porque era eu que comandava, era tudo a minha esfera, eu não alcançava ou ligava-me a nenhuma esfera que não a minha.

Ao ouvir isto, comovido, disse-lhe “se soubesses como te consigo compreender…”. E ocorreu-me ainda dizer-lhe umas das “frases feitas” que mais verdade carrega: “um dia podes-te aperceber que perdeste um diamante quando andaste ocupada demais a coleccionar pedras…”.

E rematei ainda: Lê isto, pensa e reflecte. Um dia empresto-te o livro.

Bruno Piairo Teixeira

Desconfia de tudo o que aparecer na tua vida e a tornar mais complicada: desde uma relação difícil à assinatura de um jornal. Um dos princípios organizadores em volta dos quais se constrói qualquer vida grandiosa é este: simplifica, simplifica, simplifica.

Quando trabalhava no mundo empresarial, tinha literalmente todos os minutos do meu tempo planeados. Planeava todas as horas das reuniões, as horas para trabalhar nos projectos. Planeava as pausas e os telefonemas. Planeava as horas exactas que treinava no ginásio e o tempo que passava com a minha namorada. Até planeava o sono e as refeições, hora a hora.
– Parece extremamente complexo, até de acordo com os meus padrões.
– Extremo é a palavra certa amigo. Não tinha tempo para deixar a vida correr.
– Deixar a vida correr? – perguntei, confuso.
– Sim, viver com a percepção do momento presente. Viver com todas as células dentro de ti concentradas no momento que estás a viver. Enfim, não tem nada de mal planeares as tuas semanas, não me interpretes mal, mas não deixes que a tua agenda te domine. É tudo uma questão de equilíbrio não é?
– Como tudo na vida.
– Exacto. Portanto, arranja tempo, montes de tempo para desfrutares dos momentos preciosos da tua vida. Arranja tempo para os simples prazeres do mundo, para as pessoas que queres que façam parte da tua vida. Elas duram mais que os prazeres dispendiosos e projectos ou aspirações profissionais que tenhas. Não corras freneticamente atrás dos grandes prazeres, esquecendo-te dos mais pequenos. Não lutes desenfreadamente, esquecendo-te, pura e simplesmente de viver.”

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