Nunca Julgues Um Livro Pela Sua Capa. Pelo Menos, Não Este! – Parte I

O Santo, O Surfista e A Executiva

Este é o Livro que faz jus à frase “nunca julgues um livro pela sua capa“.

O que este livro me trouxe de bom é impagável, diria até, indescritível. As mensagens de força, verdades, alertas, confiança, inspiração, crescimento e outros turbilhões que tais, são uma constante à medida que vamos devorando esta magnífica e viciante história de Robin Sharma. A tua cabeça anda à roda e tantas vezes te vês aqui como um personagem activo quando na verdade não passas do leitor.

Ler este livro uma vez não é suficiente. Pela 2ª vez que o desfolho e me prendo viciadamente nas suas palavras, aí sim, me apercebo de tantas outras partes que deixei passar sem sublinhar, tantas coisas que já me tinha esquecido e que me servem como lembrança para o que é verdadeiramente importante para a minha vida. Ter conhecido esta obra e esta história que pode ser a história de qualquer um de nós, é um presente divino. A auto-estima, força e coragem que se ganha ao lerem-se determinadas partes do livro são constantes.

Se te sentires em baixo ou achares que te estás a afastar de seres tu mesmo, tanto quanto eu o fiz muitas vezes recentemente, relê, ou simplesmente lê pela 1ª vez. Não há vitaminas ou medicamentos, drogas ou êxtases materiais melhores e mais eficazes que este grandioso desenrolar de acontecimentos que lemos aqui.

Partilho convosco parte de uma conversa entre o personagem principal e O Surfista para vos dar um toque do que estou a tentar transmitir.

Boa leitura.

Bruno Piairo Teixeira

“Moe prossegiu:
– Tudo começou quando parei de viver dentro da minha cabeça e comecei a abrir o meu coração. Foi realmente esse o truque. Carl Jung exprimiu-o muito bem, quando disse: “A tua visão tornar-se-á clara somente quando olhares para dentro do teu coração. Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, desperta.
– Bela citação – disse eu, sentindo-me inundado por uma onda de paz e conforto, ao absorver aquelas palavras – Bom, é um prazer conhecer-te, Moe Jackson. Estou verdadeiramente desejoso de passar estes dias contigo – confessei, confiante.
– Óptimo! – exclamou ele. – Eu sei que estás a passar por uma fase de profunda transformação Jack. Isso é bom…é a melhor fase da vida. Sei que, por vezes, pode parecer aterrador, mas não desistas. Tenta estar plenamente presente nesse processo por que estás a passar. Este é o momento mais importante da tua vida…até aqui. Portanto, curte a onda e verás que não te arrependes. Aliás, aposto que, depois da tua estadia com o Padre Mike, o teu coração já começou a abrir-se para tua sabedoria interior.
– Tens razão. Ando a ter uma série de intuições que nunca tive antes…e nem sequer sei de onde vêm – admiti, na esperança que ele me esclarecesse.
Estás a sair de dentro da tua cabeça e passar para o teu coração que é onde se encontram todas as respostas. Viver dentro da cabeça é ser-se comodista. Tentas racionalizar tudo. Planeias, preocupas-te, atormentas-te com o teu passado, presente e futuro. Passas tanto tempo a analisar o que poderia acontecer e o que poderá ser que te esqueces de viver a vida que tens de viver. A maneira ideal de aprender com a vida é estar presente em cada instante que se desenrola diante de ti…e não podes fazê-lo, se estiveres enredado nos teus pensamentos.
Moe deteve-se por um breve instante e, em seguida, continuou.
– Eu era como tu, Jack, vivia dentro da minha cabeça. Trabalhava inclusivamente na mesma área que tu.
– Publicidade?
– Sim, publicidade. Já ouviste falar no MJ Group International?
– Claro. É uma das 5 melhores agências publicitárias do mundo. Sediada em Chicago, com 23 escritórios em todo o mundo, centenas de milhões de dólares de receitas anuais.
– Adivinha quem fundou a empresa – disse Moe, dando-me uma palmadinha nas minhas próprias costas.
– Não acredito! – exclamei. MJ são as iniciais de Moe Jackson?
– São – confirmou ele, com um sorriso de orelha a orelha.
– Incrível! A sério? – eu não queria acreditar que aquele surfista, que estava descontraidamente a conversar comigo, fora uma das mentes mais famosas do Marketing há apenas uma década. A sua empresa fora pioneira de muitas inovações e era vastamente conhecida pelas suas estratégias agressivas e pela sua política de vencer a qualquer preço. A MJ International era uma empresa de renome mundial e custou-me imaginar que aquele homem de aspecto extraordinariamente sereno, parado diante de mim naquela praia magnífica, no meio do nada, era realmente quem dizia ser.
– Acredita que é verdade – respondeu Moe. – A minha escalada para o sucesso foi vertiginosa. Quando trabalhava em publicidade era como se tivesse o toque de Midas. Durante anos, fui incansável e ganhei milhões, tinha como que um sexto sentido para o sucesso. Aos quarenta anos, possuía todos os bens materiais que uma pessoa do teu mundo pode desejar: um jacto particular, uma casa nas Ilhas Caimão, um chalé em Aspen, dois Porsches e uma mulher-troféu. E depois de tantos anos obcecado com dinheiro, fama e reconhecimento, imagina o que foi que eu descobri?
– Diz-me – pedi eu, prescrutando os olhos de Moe, que estavam cheios de tristeza e arrependimento.
Aprendi que continuava a ver a mesma pessoa no espelho, todas as manhãs. Continuava a sentir-me da mesma maneira que sentia quando passava fome e era um teso. Tinha os meus demónios a atormentar-me e a mesma bagagem emocional que arrastava às costas desde miúdo. Tinha as mesmas crenças redutoras sobre mim mesmo e o que era capaz de fazer. Portanto, aprendi que, por mais belo que o teu mundo exterior pareça, o que está por dentro é que importa. E se o teu mundo interior é caótico e pouco saudável, nada do que faças por fora te fará feliz. Por outro lado, se o teu mundo interior for saudável e completo, as coisas mais simples e básicas do teu mundo exterior farão transbordar o teu coração e a tua alma. Os maiores tesouros da vida são realmente os que tens dentro de ti, meu amigo.
Como disse Emerson: “Sem um coração rico, a riqueza é um horrível mendigo“.
– Estou a aprender isso à medida que vou mergulhando cada vez mais fundo – acrescentei pensativamente.
– Por mais coisas que coleccionemos, nada, absolutamente nada, pode compensar a falta de plenitude que sentimos dentro de nós. Enquanto seres humanos, todos temos lacunas que anseiam por ser preenchidas. Alguns têm lacunas por pais que não preencheram as carências emocionais dos filhos quando estes eram pequenos; outros têm lacunas criadas por colegas de escola ou de trabalho desinteressados que nunca reconheceram o seu valor. Outros ainda têm lacunas criadas pelos educadores, que lhes ensinaram que eles não prestavam por mais que se esforçassem. À medida que nos tornamos adultos, procuramos inconscientemente, outras pessoas e coisas que preencham as nossas lacunas, que nos completem. E quando vemos que não o fazem, avançamos em busca de uma solução nova. É uma demanda sem fim que, enquanto seres humanos, nos esvazia da nossa paz interior.
– Então qual é a solução duradoura? – perguntei, enquanto eu e Moe caminhávamos ao longo da praia, com uma brisa suave a acariciar-nos os rostos.
– Mergulha dentro de ti mesmo – foi a resposta. – Faz o que for necessário para te completares. Preenche as tuas próprias lacunas. E lembra-te que os portões da realização pessoal abrem para dentro e não para fora. É por isso que a 1ª prioiridade de qualquer ser humano, a meu ver, é fazer um trabalho interior profundo, o trabalho que falaste há pouco.
– É uma maneira fascinante de encarar as coisas Moe.
– É verdade. Mergulhar dentro de ti significa lidar com as coisas que te estão a limitar e a impedir-te de saberes que és uma pessoa fantástica.
– Tais como as minhas crenças incorrectas, falsas premissas, medos e preconceito – acrescentei.
– Sim, essas coisas e muitas mais. Se lidares com elas de uma maneira correcta, sentir-te-ás muito melhor no teu mundo exterior. Quanto mais arrumares o teu mundo interior, mais belo se tornará o teu mundo exterior.
– Tudo começa por dentro – resumi.
– Sim – disse Moe. E um dos principais elementos desse trabalho interior é abrir o coração. Abrir o coração é viver com amor, estar aberto às possibilidades humanas, confiar no desenrolar perfeito da vida e estar mais vivo. Começa a viver na maravilha da tua vida Jack. Está presente em toda a luz que te rodeia. É uma escolha que tens o poder de fazer. E, com alguma prática, dominarás essas capacidades. Como disse Helen Keller: “Nunca nenhum pessimista descobriu os segredos das estrelas nem navegou para uma terra desconhecida, nem abriu um novo paraíso ao espírito humano.Sê mais corajoso com a tua vida…comigo resultou. Abrir o coração significa também confiar mais nos nossos instintos e estar mais aberto para todos os milagres que se entretecem na trama das nossas vidas”.

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