Carapaças, Viver no Outono, Fugir, Medos e a Minha Verdade.

A frase quando ligo o telemóvel é: “Hoje estás com um coração bondoso?”. Acho que só podia ser esta. Encaixa comigo, desculpem a falta de humildade ou exagerada presunção. Não que eu me queria adjectivar de bondoso ou de maldoso, não é isto o que interessa, quem eu sou ou quem eu mostro ser é interpretado pelas pessoas com quem me relaciono de diferentes formas e feitios. Mas pergunto se estou com um coração bondoso porque estar ou não estar faz toda a diferença, todos os dias. Podia ser também: “O que estás a fazer pelos outros?” Mas identifico-me com a frase que tenho.

Sou acusado algumas vezes de ser “mole”. “Mole” no sentido de me preocupar demais, pensar demais, estar disponível demais para as pessoas. Eu contraponho dizendo que sou assim, nasci assim, fui-me tornando cada vez mais assim e melhorei-me assim. É tão bom quanto o é perigoso porque fico desprotegido, mas puxa, eu cresci a falar de sentimentos, eu cresci a pensar, a reflectir, a arriscar, a expor-me. É um risco que corro. Mas se pedirem a um gato para latir ele consegue? Uma flor de lótus nunca há-de conseguir ser uma rosa. Talvez eu não consiga (ou nem queira) ser o durão da capa de ferro que finge tudo para se proteger, que “superficializa” tudo o que passa na sua vida apenas porque quer ser feliz. Lamento desapontar, mas não sou assim. Eu sou ambicioso na minha felicidade. Afinal, eu também quero ser feliz e só eu o posso ser por mim. E, eu também fujo do perigo e da dor e do sofrimento. Até os animais o fazem (pelo menos do perigo). Todos o queremos e tudo fazemos para ser felizes, só depende é de como e a que custo para nós e para os outros conseguimos essa tão almejada felicidade. Sim, porque a minha felicidade vai acabar quando a das outras pessoas começa. E eu não quero ser feliz assim. Nem atropelando ninguém e muito menos a fugir, porque eu não fujo, não finjo e acima de tudo comunico. Não sou isento, não sou exemplo, mas não tenho a mania de viver no Outono e muito menos me acobardo perante situações que me desafiem. Isso é mais fácil. Mas por trás dos desafios e dos medos reside o meu nível de crescimento seguinte e é para aí que quero caminhar. “Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.”, já dizia o grande Luis Veríssimo.

Bem, esta é a minha verdade. E quem passa por estas linhas tem a sua. Esta é a minha, encaixa para mim, faz sentido para mim. Não será imutável concerteza, mas neste momento presente, e como diz o Dalai Lama e, já agora, que acho brilhante, é que “existem dois dias por ano em que nada podes fazer pela tua vida: o ontem e o amanhã”.

As oportunidades que perdi por medo! O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. E não vou deixar que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo me impeça de tentar.
Ser feliz depende de muita coisa básica, se pensarmos mais profundamente em termos sociais, tais como comida, um lar, família, segurança, etc.. O resto da felicidade só depende de como jogas as cartas da tua vida. Pergunto: Como está o teu jogo?

Bruno Piairo Teixeira

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