2 Poemas, por José Gomes Pereira

“Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite para o ritual do Grande Desfazer: “Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje às 9 horas. Traje de passeio”.
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
“Adeus! Adeus!”
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento, numa lassidão de arrancar raízes…
(primeiro, os olhos… em seguida, os lábios… depois os cabelos… )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se em fumo… tão leve… tão sutil… tão pòlen…
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono ainda tocada por um vento de lábios azuis…”

“VIVER SEMPRE TAMBÉM CANSA

Viver sempre também cansa.
O sol é sempre o mesmo e o céu azul ora é azul, nitidamente azul, ora é cinzento, negro, quase-verde…
Mas nunca tem a cor inesperada.
O mundo não se modifica.
As árvores dão flores, folhas, frutos e pássaros como máquinas verdes.

As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha, não há flores que voem, a lua não tem olhos e ninguém vai pintar olhos à lua.

Tudo é igual, mecânico e exacto.

Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem sem imaginação.

E há bairros miseráveis sempre os mesmos, discursos de Mussolini, guerras, orgulhos em transe, automóveis de corrida…

E obrigam-me a viver até à Morte!

Pois não era mais humano morrer por um bocadinho, de vez em quando, e recomeçar depois, achando tudo mais novo?

Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses, morrer em cima dum divã com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber que tu velavas, meu amor do Norte.

Quando viessem perguntar por mim, havias de dizer com teu sorriso onde arde um coração em melodia:
“Matou-se esta manhã, agora não o vou ressuscitar por uma bagatela.”

E virias depois, suavemente, velar por mim, subtil e cuidadosa, pé ante pé, não fosses acordar a Morte ainda menina no meu colo…”

José Gomes Pereira

One Response to “2 Poemas, por José Gomes Pereira”

  1. Aqui fica um pouco da poesia que me encante e enriquece enquanto ser humano:

    SOMOS AMADOS

    Caminhando pela Floresta da Solidão,
    Sentimo-nos muitas vezes desamados…
    De olhos vendados para as alegrias da Vida,
    Esquecemos o quanto somos abençoados!

    Saibam pois, que não estamos sós!
    O Amor do Pai está sempre presente…
    Estejam atentos,
    Procurem-no bem dentro de Vós!

    Somos fruto do seu Amor,
    Somos Sua criação…
    Como podemos não ser amados?!

    Despertem para a Vida!
    Abram os portões dos Sentidos,
    Vejam e sintam com os olhos da Alma…

    Contemplem as maravilhas da Natureza!
    Evidentes tesouros da Terra,
    Não são mais que presentes do Pai para nós…

    O esvoaçar da borboleta,
    O cântico dos pássaros,
    O sussurrar do vento
    Embalando as ondas do mar…
    Estas são apenas algumas das formas
    Que Ele encontrou para nos amar…

    Reside em teu mundo íntimo e não O conheces. Manifesta-se em tua vida de mil formas; todavia, permaneces ignorando-O. Alenta-te com a esperança, irradiando o amor que te mantém em equilíbrio, na estrutura do teu corpo, da tua mente, da tua emoção. Sustenta-te através do ar e, Sua luz a irradiar-se na força do Sol, é o agente vitalizador das tuas energias.
    A Sua presença te envolve, exteriorizando-se de ti, em ti reflectido,
    todos O vejam, sintam e amem, esforçando-se cada um para que
    também O tenha desvelado em seu cosmo interno, experimentando a plenitude que um dia dominará todas as vidas(…)

    A CURA ESTÁ DENTRO DE TI

    Fecha os olhos,
    E voa nas asas do teu subconsciente…
    Visitarás outros mundos,
    Desvendarás novos percursos…

    Todo um universo por redescobrir,
    Temo-lo bem dentro de nós…
    Nele encontras vitalidade e regeneração,
    Pois é fruto de Amor Divino!

    É na espontaneidade do teu Eu,
    No acreditar e no confiar,
    Que encontrarás os ingredientes necessários…
    Os que te permitirão materializar os sonhos!

    Nesse teu supremo universo,
    És dotado de capacidades ilimitadas:
    A imaginação flúi,
    O pensamento constrói,
    E o sonho nasce…

    E assim motivado pela esperança,
    Incentivado pelo amor,
    Perspectivarás novos horizontes,
    Harmonizando assim esse teu ser interior…

    Busca e encontrarás:
    Reenergização, conforto e serenidade…
    A melodia dos anjos entoará então na tua alma,
    A chama da cura
    Iluminará por fim, teu coração!

    Reflexão:

    Muitas vezes procuramos no exterior a cura para as nossas depressões e ansiedades, quando ela está mais perto que o que podemos pensar…
    É só mergulhar no subconsciente e lá encontramos tudo o que precisamos: todas as ferramentas e soluções para o que nos aflige e bloqueia estão inatamente depositadas dentro de nós.
    Vivemos na companhia de um Eu interior e raramente ou nunca nos lembramos dele… ele é a chave para a cura que todos buscamos…

    RENASCENDO PARA A VIDA

    Castelos de medos nos pensamentos,
    Muros construídos com desalento e lágrimas…
    Um Eu bloqueado na dor das lembranças,
    Inibindo a saída da prisão do desespero!

    As forças parecem não chegar,
    Um frio vazio invade tua alma cansada…
    Revela-se então uma aparente e manifesta
    Incapacidade de superar…

    Abraça a vida com a Luz do Amor,
    Derruba esses muros
    Com a espada da Esperança!
    Agarra os sentimentos nostálgicos,
    De coragem e ânsia de viver!

    Ao fazê-lo revelarás em ti uma criança,
    Mais fortalecida e disposta a crescer…
    Descobrirás então ainda por disfrutar,
    Uma vida repleta de sonhos e sorrisos!

    A Luz será então derramada sobre ti,
    Que com ela possas sempre contar…
    Iluminará por fim teu percurso,
    Para que saibas por onde caminhar…

    Há um mundo esquecido para cuidar
    Esse que és tu próprio… Ama-te!
    Pois também tu
    És centelha da Vida!

    Reflexão:

    Há momentos na vida
    em que nos sentimos impotentes,
    fraquejamos perante as adversidades
    que se nos apresentam.
    A solução está em agarrarmos a vida
    entre as mãos,
    com coragem e determinação.
    Não precisamos de buscar razões para o fazer:
    nós somos essa razão!
    É importante aprendermos a amarmo-nos
    e ao fazê-lo,
    estaremos a cuidar da criança que vive em nós!
    Há alturas em que ela está desamparada e perdida,
    resgatê-mo-la desse inferno de emoções…

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