Viver Tudo de Novo

Últimamente num dos livros que me acompanham nas minhas viagens de casa trabalho – onde há anos lá vou labutando num castigo monetariamente compensador – levo um companheiro livro cujo título não interessa mas que, por entre algumas mensages acerca da vida e das suas peripécias e certo caos organizado, me fala de uma palavra que poucos de nós usamos no nosso vocabulário diário ou até mesmo nos apercebamos que exista. A palavra é impermanência. Tem ecoado dentro de mim com regularidade esta menina. É que na verdade, tudo muda, nada nunca fica nem ficará o mesmo, nada, desde o nosso corpo, cabelos, ruas, roupas, pessoas, memórias, sentimentos, tradições, alegrias, tristezas, sofrimentos, fases boas e más. Parece irónico sofrer ou até estar alegre porque nada permanece estático. Assusta-me até. Porque para algumas coisas boas a impermanência também as invade um dia e puf, adeus. Mas o que assusta mais é quando estamos realmente convencidos ou iludidamente conscientes que tens respostas para tudo e um dia a vida mudou-te todas as perguntas. Porra, gosto desta frase feita. Uso-a com alguma frequência porque não só me soa bem e se adapta a tudo mas porque nela é carregado um sentido brutal para esta vida temporária (impermanente) que vivemos. Até a vida que vivemos é de facto uma impermanência. Sabemos inconscientemente que vamos morrer, mas na verdade nunca ninguém pensa a sério no assunto e na verdade até, vá, confessem, sempre julgamos que vamos viver para sempre, ou melhor, permitam-me, agimos como se tal fosse. Soa-te familiar? Espero que sim, senão posso pensar que ou sou original (duvido) ou que sou maluco mesmo.

Bem, vou continuar, um amigo meu do outro lado do mundo uma vez numa palestra começou com uma pergunta que eu até me arrepiei: “Quantos segundos? Quantos anos? Quanto tempo até que tudo o que eu toque, tudo o que eu ame, tudo o que eu conheça, desapareça?”. Ele queria dizer apenas que um dia, a grande maioria de nós que habita este mundo hoje será esquecido completamente, como outros foram anteriormente, a sua existência resumida a um determinado tempo, espaço, época e memórias apenas, pois ninguém estará cá para testemunhar que viveste, no que tocaste, no que foste, quem abraçaste, o que te fez viver, e o que foi desse tempo que fizeste parte daqui. Quer nos ocultemos debaixo do chão, no mar ou no espaço, nunca seremos capazes de evitar a morte nem a impermanência desta vida.

Mudamos todos os dias um pouco bem como tudo à nossa volta. Mas nós, pessoas, somos quem mais rapidamente mudamos a olho nu, sempre influenciados pelo ambiente e situações que vivemos no momento. Ou mais frios, ou mais cautelosos, por vezes mais descrentes, até apressados, mas também mais confiáveis, correctos e humanos. Temo que estejamos cada vez mais com características piores (pelo menos talvez eu pelo menos esteja menos crente na bondade e valores morais das pessoas) mas oxalá a vida nos ensine a todos que mesmo que tudo seja impermanente, também tudo o que fazemos, bom ou mau, um dia volta para nós. E mais rapidamente do que pensamos.

O que ficou para trás não deve prender-te, é impossível alcançar, pois não existe mais…

Porque “é assim a vida é movimento, sentados em certezas e um dia tudo pára…enganares-te é bem mais fácil…porque o ódio é uma caixa e o amor também, simples de se usarem, difíceis de aprender…”

Bruno Piairo Teixeira

2 Responses to “Viver Tudo de Novo”

  1. Carla Mittica Silva Says:

    A vida é intemporal, nós também, penso que quem pensa o contrário iluda-se. Porém, acredito também que estamos a aprender a evoluir constantemente, e, se tivermos o instincto de perceber isso, faz de nós seres com o poder de crescer e apenas guardar o bom, o sorriso de uma criança que nos toca na alma, um olhar que fala por mil palavrasm fazer bem aos outros sem ter necessidade de o gritar ao mundo, sofrer por amor e amar cada sofrimento, saber que um dia irá terminar, mas certos de que, enquanto cá estivemos fizemos o nosso melhor, e que as pessoas que tocámos iram fazer parte desse grupo priviligiado e restrito que irá fazer com que passamos a “imortais” pelo menos durante a vida deles, e quem sabe se isso não continuará depois……

    Temos as escolhas nas nossas mãos, o tempo não pára e a vida não nos muda,nós fazemos em consciência as nossas escolhas, tudo que nos rodeia muda e isso sim influência-nos como seres tão iguais, porém tão diferentes e individuais que somos. A perca na minha vida faz-me pensar que o tempo não sendo ele o único factor, irá esgotar para mim, um dia, e hoje verbalizo todo o amor que sinto pelos meus filhos, familia, amigos e quem me tocar no coração, pois não sei quando será a última vez que o direi e quero deixar a minha “marca” por mais humilde que seja….

    Escolho não ter nem guardar ódio, essa caixa vai logo para o meu “delete” interior, gasta muito energia negativa que não leva a lado nenhum, e dá espaço para aumentar a minha caixa de amor.

    Espero que encontras o teu espaço aqui, e que saibas que cada dia é um presente, dado com amor e carinho, o caminho é feito por ti, e podes fazer dele um prazer ou um horror. Olha para o espelho e vê a tua alma, olha para entro de ti e trabalha pelo dinheiro com prazer, pois esse dinheiro vai-te da a liberdade para poderes seguir outros caminhos, certo que estas a ser preenchido nas tuas escolhas. Rodeia-te de amor e serás amado certamente, pois aprendi que não devemos julgar ninguém e devemo-nos rodear com quem nos vê por nós como seres e não como objectos. Somo distinctos com tanto para ensinar uns aos outros!

    Bem haja

  2. Viver é mais do que sonhar
    É ter certeza de que se deve sorrir
    Quando tudo a sua volta parece amargar
    Viver é conhecer o presente
    É cultivar o futuro
    É fantasiar metade da vida
    Quando a outra metade é real
    Viver é aprender a caminhar
    com passos firmes por um caminho duvidoso
    É saber apreciar uma rosa
    apesar dos inúmeros espinhos que ela nos trás
    Viver é caminhar para a eternidade
    Por isso VIVA!

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