Apaixonei-me

Há paixões diferentes. É isso que as torna especiais.
Acho que é o tempo que perdemos com os nossos sentimentos que os torna especiais como o Principezinho e a sua rosa.
Apaixono-me com facilidade.
Apaixonei-me por um criança na praia que veio dar pão com areia a um amigo meu em troca de uma bolacha.
Apaixonei-me por um cão que veio ter comigo de cauda a abanar só para me cumprimentar.
Apaixonei-me por uma pessoa que olhou nos olhos de outra e lhe pediu desculpa.
Apaixonei-me por alguém preferiu falar de uma injustiça do que deixar um silêncio ensurdecedor tomar conta de si.
Apaixonei-me porque tenho encontrado pessoas que ainda não estão transformadas em pedra.
Apaixonei-me pelo mar que tanto me acalma naqueles dias de tempestade no meu coração.
Apaixonei-me por mais uma pessoa que construiu uma casa num àrvore numa floresta do Oregon e que se recusou a sair dali porque o “progresso” quer destruir uma floresta centenária.
Apaixonei-me porque vejo todos os dias pessoas em manifestações a fazerem uso de uma liberdade a qual os meus Pais e os meu Avós lutaram para que eu hoje pudesse estar na Internet a escrever o que eu acho do mundo.
Apaixonei-me por uma pessoa que me segurou a porta sem esperar que eu lhe agradecesse.
Apaixonei-me por escritores que escreveram em seus livros coisas que sinto, como se me conhecessem, como se os seus livros fossem escritos para mim.
Apaixonei-me por saber que o tempo passa, o meu corpo muda, mas não passo de um miúdo.
Apaixonei-me porque alguém me apontou o dedo e me mostrou o que vê em mim e que eu tenho de melhorar.
Apaixonei-me porque encontrei pessoas que moram a oceanos de distância e que me mostraram que a minha família é mais numerosa do que eu pensava.
Apaixonei-me por saber que ainda há quem use a música para entrar nos nossos corações e espalhar sementes de esperança.
Apaixonei-me por pessoas que conseguem ser elas mesmas sem usarem aquela profissão de “actor/a” que tod@s temos de usar todos os dias.
Apaixonei-me porque não morro lentamente como o grande Neruda escreve, porque não me faço escravo da rotina porque prefiro a dúvida e a incerteza do que não arriscar.
Apaixonei-me por quem ainda presta homenagem ao 11 de Setembro de 1973.
Apaixonei-me porque alguém colocou um papel no lixo.
Apaixonei-me porque há quem, longe daqui, se coloque entre harpões e canhões e arrisque a sua vida a salvar animais intelegentíssimos como as baleias.
Apaixonei-me por todos os indígenas que combatem o terrorismo desde 1492.
Apaixonei-me porque um dia, uma senhora de nome Rosa Parks recusou-se a sair de um lugar num autocarro nos Estados Unidos que estava reservado para gente de côr “branca”.
Apaixonei-me porque um dia encontrei Mumia Abu Jamal.
Apaixonei-me por Ismael de Daniel Quinn.
Apaixonei-me por “Noites Brancas” de Dostoievski.
Apaixonei-me por um professor de filosofia que desistiu de tudo e foi viver para as montanhas de Chiapas no México com os indígenas e que ficou conhecido como Sub-Comandante Marcos.
E apaixonei-me ainda mais por ele porque ele diz que é Sub-Comandante e não Comandante porque quem comanda é o Povo.
Apaixonei-me porque nunca deixei de me comover com filmes.
Apaixonei-me pelos meus Pais porque eu hoje sou a pessoa que sou devido a eles.
Apaixonei-me por todos os animais que apanhei na rua e trouxe para casa.
Apaixonei-me pelos amigos que conheci, que carrego do lado esquerdo do peito, num corpo e num coração que um dia há-de parar.
Apaixonei-me por alguém que reconheceu um erro.
Apaixonei-me por alguém que não perdeu a capacidade de se apaixonar e que ama como se nunca tivesse sido magoad@.
Apaixonei-me porque alguém ficou com um cão ou com um gato de rua e lhe deu guarida e amor para a vida.
Apaixonei-me por quem me pede ajuda, sabendo que é uma das 3 coisas mais difíceis de fazer nesta vida.
Apaixonei-me por saber que o orgulho me torna pequeno e que me esmaga contra uma parede.
Apaixonei-me pelas pessoas que criam alegrias propositadas nas suas vidas, sabendo que a vida tem muita dôr à espreita.
Apaixonei-me por jornalistas que se mantêm fiéis ao dever de informar sem filtros.
Apaixonei-me por ter a noção que sou eu o realizador do filme da minha vida e que se fosse um filme, que tipo de filme quereria eu que fosse.
Apaixonei-me por quem largou tudo para viver uma vida de verdadeira liberdade.
Apaixonei-me por quem consegue ter tão pouco e ser imensamente feliz.
Apaixonei-me por alguém que esqueceu quem sou, de onde venho, a que classe social pertenço e que simplesmente me trata como uma pessoa igual.
Apaixonei-me por uma pessoa que disse sem pestanejar os defeitos que tem.
Apaixonei-me por alguém que mostrou sinal de força interior ao chorar.
Apaixonei-me por alguém que por melhor que seja, reconhece que todos somos bons em algo.
Apaixonei-me milhares de vezes nesta vida e continuo a fazê-lo todos os dias.
Mas apaixonei-me por ti. Naquele dia. Em que tudo mudou.

One Response to “Apaixonei-me”

  1. Carla Mittica Silva Says:

    É tão preenchedor sentir essa paixão!

    Amanhã quando saires de casa e olhares para o ceu, sente o sol a brisa quente na tua cara e…… volta a apaixonar-te de novo……

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