Eu, 33 anos. E aprendi tanto…

Vou ter de actualizar este texto todos os dias. É que somos máquinas de aprendizagem. E quem é atento regista. Eu registo. Já abri uma folha para todos os dias ir registando que lições aprendi e actualizo este texto. Espero continuar a fazê-lo até ao fim dos meus dias. O dia que o deixar de fazer é porque não respiro mais.

Aprendi sim.

Aprendi que ter alguém não é sentir-me acompanhado.

Aprendi que as escadas não servem apenas subir.

Que amar não significa apoiar-me e que companhia nem sempre significa segurança.

Que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.

Aprendi a aceitar as minhas derrotas de cabeça erguida e com a dignidade de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

Aprendi a construir todas as estradas no hoje porque o terreno do amanhã é incerto demais para planos e o futuro tem o hábito de cair no vácuo.

Aprendi (ah ah!) que o Sol queima se se fica exposto a ele por muito tempo.

Que por mais que eu me importe, há pessoas que simplesmente não se importam.

Aprendi que falar e escrever alivia dôres emocionais. E como!

Aprendi que posso (e fiz) coisas que me poderia arrepender para o resto da tua vida.

Aprendi que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.

Aprendi que não importa o QUE eu tenho na vida, mas sim QUEM eu tenho na minha vida.

Aprendi que as pessoas não estão habituadas a receber muito, por isso estranham quando alguém dá sem esperar nada em troca.

Aprendi que não consegues partilhar silêncio com qualquer pessoa. Mas que quando consegues fazê-lo, sentes por vezes que tiveste uma das melhores conversas da tua vida.

Que algumas pessoas deixam-nos cedo demais. E tento sempre deixar aqueles que eu amo com palavras carinhosas. Nunca se sabe se será a última vez que os vejo.

Aprendi que que não importa onde já cheguei mas sim para onde me dirijo, trazendo sempre presente na minha cabeça que o vento nunca sopra a favor de quem não sabe para onde vai.

Aprendi que ser-se flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, afinal em cada situação existem sempre dois lados, certo?

Aprendi que conheço muitos heróis, aquelas pessoas que fizeram o que tinham de fazer enfrentando as consequências.

E de facto aprendi que às vezes não é necessário apenas ser perdoado. É muito mais necessário perdoarmo-nos a nós mesmos.

Aprendi que de facto o tempo não volta atrás.

Aprendi que às vezes não conseguires o que queres pode ser um maravilhoso golpe de sorte.

Aprendi que o melhor tempo que gastamos é o que investimos nas pessoas.

Aprendi que não há aqueles “timings” para as coisas, essa coisa do “é muito rápido” ou “é muito devagar” não existe. Quando depende de nós, as coisas simplesmente acontecem quando sentimos que queremos que aconteçam.

Aprendi que por mais sozinho ou deslocado que me sinta e que por vezes até me coloque num canto, existem milhares de pessoas que reagem assim, tal e qual como eu.

Aprendi que muitas vezes me coloquei lá no alto daquela torre longe de tudo e todos mas quase nunca foi o melhor remédio. Facilmente me apercebi que me sentia só porque construía muros em vez de pontes.

Aprendi que por vezes a tua mais fiel companhia pode ser a solidão e até por vezes pode ser uma boa companheira.

Aprendi que é na dor que descobres as tuas mais escondidas capacidades.

Aprendi que as pessoas respondem mais facilmente a provocações do que a gestos de amor e carinho que demonstres, afinal, mas infelizmente hoje em dia, é mais fácil fazer mal do que bem.

Aprendi que existem 3 coisas que devem ser obrigatoriamente ditas a olhar nos olhos de outra pessoa. Elas são: Amo-te, Desculpa e Ajuda-me.

Aprendi que por vezes posso ser agradavelmente surpreendido por um desconhecido e desagradavelmente surpreendido por alguém que diz ser meu amigo.

Aprendi que os meus amigos aos quais tenho um respeito maior são aqueles que sempre me disseram aquilo que eu nunca vi em mim.

Aprendi que me acomodei a muitas situações que me aprisionaram por muito tempo. A liberdade também deve ser mental.
Aprendi que as piores drogas não são as que conhecemos como drogas de toxicodependentes. As piores são as drogas sociais, as que temos dentro das nossas cabeças, esse apontar de dedo, esse racismo, aquela piadinha desagradável, aquela homofobia, aquele telemóvel que não largamos, aquela obsessão da namorada ou namorado que não conseguimos viver sem. Essas são muito mais complicadas de serem combatidas do que imaginamos.

Acho que plantei um bom jardim na minha vida e fico feliz por tê-lo feito assim ao invés de esperar que alguém me trouxesse flores.

Bruno Piairo Teixeira

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