Exactamente há 3 anos atrás, disse-lhe “Adeus”

Posted in Pensamentos & Reflexões de minha autoria on November 29, 2016 by In Defense Of Reality

Ganhei coragem e disse-lhe “Adeus”. Era altura de o dizer, de me despedir, de dizer “não quero mais isto”. Disse-lhe “Adeus”. A uma carreira de quase 20 anos numa indústria que, como 99% de todas as outras, te vê como um pequeno detalhe, um número de uma célula num Excel, um grão de areia, uma estatística, independentemente do título pomposo que a tua assinatura de E-Mail possa ter. Eu estava a dar cabo de mim. Estava a morrer mais depressa do que imaginava. E tinha de recomeçar. Fazer um “Reset” e voltar a viver. A recuperar a minha vida, a alegria de me sentir relevante, a alegria de deixar um impacto, um legado por assim dizer. E depois da decisão, foi quando se levantaram as cortinas da vida e me mostraram o que eu não conseguia ver pelo facto das coisas por vezes só aparecerem quando damos os primeiros passos para o que realmente queremos.

O 1º dia do resto da minha vida foi exactamente há 3 anos atrás, dia 29 de Novembro de 2013. Larguei tudo e recomecei. Renasci. Uma 2ª vida mas a começar aos 38 anos, com uma maturidade que não se tem quando se nasce no princípio da vida. Se foi fácil? Não, óbvio que não. Se foi simples? Não. Se tive medo? Sim! Se me senti inseguro? Sim! Pensei no pior? Sim! Pensei no melhor? Também Sim! Andei numa dualidade gigantesca durante um bom período de tempo. Os demónios noturnos vinham sempre bater-me no ombro à noite a alertarem-me: “Cuidado, vai correr mal…”, “Não deites fora o bem mais precioso na sociedade portuguesa hoje, um trabalho”, “E se bateres com a cara no chão, como vais sobreviver???”. Ainda hoje, passado este tempo todo, tenho aquela sensação estranha de que me “baldei às aulas”. O sentido de trabalho para outrem faz-te isto mesmo quando neste momento só trabalhas para ti. Estás livre, mas sentes que estás ainda lá. São muitos anos afinal, não passa assim. A questão é que eu tive a oportunidade de mudar de vida e mudei. E isto que vou dizer é verdadeiramente sentido: todas as pessoas mereciam uma oportunidade igual à minha, de mudar, de saírem de um trabalho que lhes tira os melhores anos das suas vidas e que só lhes permite pagar as contas, dando-lhes ao mesmo tempo a ilusão que estão a fazer alguma coisa de relevante com as suas vidas. Se as pessoas depois querem aproveitar essa oportunidade ou não, isso é uma decisão delas, sobre a qual depois terão de viver com a responsabilidade dessa escolha. Mas ainda assim, reitero: todas as pessoas deviam ter a oportunidade que tive. E não só por poderem dedicar-se a algo que amam verdadeiramente fazer, mas pelo que têm a ganhar interiormente com isso, começando a aperceber-se de pessoas, situações e assuntos que são deixados ao acaso porque estamos demasiado ocupados a pensar em coisas que não interessam tanto como as que verdadeiramente interessam. Demasiado ocupados estando ocupados.

Os nossos títulos, salários, bens materiais nunca irão definir quem nós somos. Eu vivi essa realidade anos a fio, assinaturas pomposas, fatos caros, camisas engomadas, nós de gravata perfeitos, a “insinceridade” que se fazia sentir porque em Portugal ninguém sabe lidar com a verdade, dita de forma nua e crua, correndo o risco de se ser desbocado ou dissidente, um inadaptado, fora de passo com o mundo. Quando entrava em reuniões e deixava os tomates à porta. Tudo isso. Eles andam do lado esquerdo da estrada mas tu é que és o maluco e vens em sentido contrário. As palmadas nas costas e os egos inflamados. Que ilusões. Tudo mentira. A única verdade naquilo tudo era que estávamos a tornar-nos pior todos os dias. E eu não queria mais fazer parte daquilo.

Hoje tenho um negócio meu, cuja ideia surgiu apenas 2 meses após ter assinado os papéis. Não esperei ter algo para tomar o passo. A ideia surgiu só depois de eu já ter passado o ponto de não retorno. Confiei na minha decisão e fui. Ninguém muda radicalmente de vida para que as coisas corram mal. Sim, podem correr claro, mas a intenção é sempre para melhor, sempre para nos sentirmos mais felizes, mais satisfeitos, mais donos de nós próprios e do traçar do nosso caminho. Mas acredito verdadeiramente que a sociedade está a caminhar no sentido de, cada vez mais, nós resgatarmos as nossas vidas e vivermos, não sobrevivermos. Há cada vez mais pessoas a irem por aqui. Oxalá seja assim, por vocês e pela sociedade em geral.

Queria também partilhar que tudo o que vivi do outro lado da minha vida, começando aos 19 e saindo aos 38 foi uma tremenda escola. Há que reconhecer isso, sem dúvida. Ao longo deste trajecto, encontrei também pessoas formidáveis, tremendamente inspiradoras, que me formaram, que me ajudaram, que me compreenderam, que me apoiaram, que apostaram em mim, que se tornaram melhores amigos e que me ensinaram tanto do que aplico ainda hoje na minha realidade pessoal e profissional. Agradeço de coração cheio a essas pessoas mas também a todas aquelas que me fizeram “mal”. “Mal” entre aspas porque é um “mal” que é um “bem” porque todos foram mestres, todos ensinaram, nem que fosse a que eu não me viesse a tornar nunca como eles. Fizeram parte integrante do meu trajecto e moldaram a minha personalidade, de uma forma ou de outra. Estendo o meu agradecimento a essas pessoas naturalmente. “Atenta ao que te incomoda, tens aí um mestre”, diz o Dalai Lama. Sábias palavras, como se diz tanto em tão pouco. Mas é difícil ver isto quando estamos em estados de fúria, saturação, infelicidade. Em bom português, nessas alturas o que mais apetece é mandar essas pessoas “à merda”. Mas isso passa. Garanto.

Não pretendo que este texto seja o texto de “eu tenho a resposta para ti e para como podes viver a tua vida”. Não. A minha situação teve as suas características únicas e não quero de todo achar que todas as pessoas simplesmente vivem pelos mesmos moldes e padrões ou estímulos do que eu, até porque cada pessoa tem naturalmente particularidades de vida que podem ser impeditivas de grandes mudanças. Para mim resultou mudar. Hoje vivo o meu sonho. E penso que no geral, as pessoas não vivem os seus sonhos porque vivem os seus medos. E a ilusão da segurança será sempre maior do que o desconforto da mudança. Por isso, desejo que a todos aqueles que têm essa luzinha ou comichão de mudar, que os vossos dias sejam melhores para que o vosso impacto no mundo possa ser melhor. Depende maioritariamente de vocês, mais do que de factores exteriores. Alimentem isto: A liberdade encontra-se do outro lado do medo e o melhor presente que podem dar ao vosso futuro é entregarem tudo ao presente.

Namaste!

Bruno Piairo Teixeira

Não É Suposto Compreendermos Tudo

Posted in Uncategorized on November 2, 2016 by In Defense Of Reality

É a natureza humana desejar que para tudo exista uma explicação. Criamos uma arquitectura mental desde o tempo em que somos crianças e depois tentamos encaixar os eventos das nossas vidas nestes modelos intelectuais organizados. E porquê? Para que nos sintamos seguros e em controlo. Mas isso só faz a vida rir…

O verdadeiro brilhantismo da vida reside bem para lá da nossa zona de conforto e as riquezas que lá existem para nós vivem do outro lado da nossa arena de controlo.

Permito-me perguntar: E se…nós estivéssemos de facto mais seguros no vasto desconhecido do nosso mais profundo oceano? Alguns de nós aprendemos isto de forma tão abundante que encaramos que a vida é de facto um mistério magnífico. Nós nunca a entenderemos por completo. E muitas vezes, embora ela não se desenrole da forma como queremos, tornar-se-à, eventualmente, ainda melhor do que esperámos.

Autor Desconhecido

Fomos “Coisificados”

Posted in Pensamentos & Reflexões de minha autoria on October 2, 2013 by In Defense Of Reality

Todos os dias, cada vez mais me convenço. Não não, não estamos a ser, já fomos. E fomos o quê, perguntam vocês? Eu digo-vos: fomos “coisificados”. Tu e eu, com as nossas doenças, os nossos empregos, a nossa sobrevivência, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso Pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos “coisificados”. Já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como o pobre tipo a quem o terrorista está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da Pátria.

A ti e a mim, estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária chamada Economia ou Sistema Capitalista ou chamem-lhe por exemplo, Juros a sete anos, ou vamos aos mercados, em nome da Economia Financeira. Avançamos com rupturas diárias, massacres diários. E existem fisicamente esses autores desses atentados bem como responsáveis intelectuais dessas acções terroristas que passam impunes entre outras razões, porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas. Uma decisão num escritório em Nova Iorque arruina a vida a uma Mãe do outro lado do mundo.

A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca ou a explosão de viaturas ou edifícios. Ou seja, retira-lhe todo o carácter de pessoa, “coisifica-a”. E uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para um exame ou se está atolado de dívidas e a fazer planos mensais para ver se o dinheiro chega para as despesas normais de sobrevivência. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país e diz “compro” ou “vendo” com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.

Incrível como toda a gente fala da população e das formas muitas vezes nada pacíficas de se indignarem. Falam da violência do rio que tudo arrasta, mas ninguém fala das margens que o comprimem.

Cambada de Filhos da Puta.

Bruno Piairo Teixeira

O Direito de Sonhar, por Eduardo Galeano

Posted in Outros autores on September 30, 2013 by In Defense Of Reality

Conhecer este Homem deveria ser uma obrigação da Humanidade. As suas palavras são qualquer coisa de inspirador…consegue chegar tão fundo, é apaixonante ler os seus poemas, os seus livros, ou mesmo os seus textos sobre imensas causas mundiais. Para quem não conhece, apresento-vos, o Grande, o Inimitável, Eduardo Galeano!

Com amor,

Bruno Piairo Teixeira

O direito de sonhar não consta entre os trinta direitos humanos
que as Nações Unidas proclamaram em fins de 1948.
Mas se não fosse por ele, e pelas águas que dá de beber,
os demais direitos morreriam de sede.
Deliremos, pois, um pouquinho.
O mundo, que está de pernas para ar, se colocará sobre seus pés:

Nas ruas, os automóveis serão pisados pelos cachorros.
O ar estará limpo dos venenos das máquinas,
e não terá mais contaminação
do que a que emana dos medos humanos e das humanas paixões.
As pessoas não serão dirigidas pelo automóvel,
nem serão programadas pelo computador,
nem serão compradas pelo supermercado,
nem serão assistidas pela televisão.

A televisão deixará de ser
o membro mais importante da família,
e será tratado como o ferro de passar ou a máquina de lavar roupas.
As pessoas trabalharão para viver,
ao invés de viverem para trabalhar.

Em nenhum país serão presos
os jovens que se negarem
a prestar o serviço militar,
e sim os que quiserem prestá-lo.

Os economistas não chamarão
nível de vida ao nível de consumo,
nem chamarão qualidade de vida à quantidade de coisas.
Os cozinheiros não acreditarão
que as lagostas gostam de serem fervidas vivas.
Os historiadores não acreditarão
que os países gostam de ser invadidos.
Os políticos não acreditarão que
os pobres gostam de comer promessas.

O mundo já não estará em guerra contra os pobres,
e sim contra a pobreza,
e a indústria militar não terá outro remédio
a não ser declarar-se em falência para sempre.

Os meninos de rua não serão tratados como se fossem lixo,
porque não haverá meninos de rua.
Os meninos ricos não serão tratados como se fossem dinheiro,
porque não haverá meninos ricos.

A educação não será o privilégio de quem puder pagar.
A polícia não será a maldição de quem não puder comprá-la.
A justiça e a liberdade, irmãs siamesas condenadas a viver separadas,
voltarão a se juntar, bem juntinhas, costas com costas.

Uma mulher, negra, será presidente de Brasil
e outra mulher, negra, será presidente dos Estados Unidos da América.
Uma mulher índia governará a Guatemala e outra, o Perú.
Na Argentina, as “loucas” da Praça de Maio
serão um exemplo de saúde mental,
porque elas se negaram a esquecer
em tempos de amnésia obrigatória.

A Santa Madre Igreja corrigirá algumas erratas
das pedras de Moisés.
O sexto mandamento ordenará: “Festejarás o corpo”.
O nono, que desconfia do desejo, o declarará sagrado.
A Igreja também ditará um décimo-primeiro mandamento,
que o Senhor havia esquecido:
“Amarás a natureza, de que és parte”.
Todos os penitentes serão celebrantes,
e não haverá noite que não seja vivida como se fosse a última,
nem dia que não seja vivido como se fosse o primeiro.

Triste, É Não Sentir Nada.

Posted in Pensamentos & Reflexões de minha autoria on September 26, 2013 by In Defense Of Reality

Vivemos tempos complicados e tristes de alguma forma, sem dúvida. Quem tem emprego, tenta agarrar-se o mesmo. Quem não tem, procura. Quem tem e acha que está na hora de ser feliz, vai (é o caso de um jovem que conheço). Somos escravos do relógio, não conseguimos ficar deitados até mais tarde, ler um livro, ouvir uma música e sentir mesmo que naquelas palavras está o sonho de um mundo melhor. Tanta coisa para fazer e resta pouco tempo para sentir.

Acho que se pode entristecer por vários motivos ou até por nenhum motivo aparente. A tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas sempre que ela aparece, eu recebo-a, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do facto de ainda conseguir senti-la! (não, não estou triste!)

Para mim, e deixando de fora preferências, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, uma realização, um entusiasmo, um alívio. Pode ser uma melancolia ou por vezes uma tristeza até. É que sentir é um verbo que se conjuga para dentro. Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta.

O sentir não pode ser ouvido, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende dinheiro, contactos, diplomas, convites, aquisições. Mas até parece que sentir não serve para subir na vida, ah não que não serve!

Infelizmente, vê-se muito nos dias de hoje, que uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos anúncios dos telemóveis, das festas das cervejas nacionais que não param de competir uma com a outra, dos festivais de Verão em que não há dinheiro e o país está em crise, mas toda a gente paga entre € 60 / €90 para 3 dias. Tristeza parece uma praga, lepra, uma qualquer doença contagiosa, um estacionamento proibido. OK, tristeza não faz realmente bem à saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando nos silenciamos que melhor conversamos com os nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba por sair também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada.

Eu acho é que triste, triste, meu caros, é não sentir nada!

Bruno Piairo Teixeira

Mudar…O Horizonte Que É Mudar!

Posted in Outros autores on September 26, 2013 by In Defense Of Reality

Este tema encaixou de forma perfeita na minha vida. Espero que na vossa também. E se sentirem que este é o momento para mudar, então não vivam de palavras, slogans e frases sábias que tanto amamos. Neruda disse: “Eu sou completamente apaixonado por palavras, mas o que eu amo mesmo de verdade são os actos.”. Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas, pensem nisso! As vidas que tivémos de viver para estarmos juntos nestes fragmentos de existência. A todos vocês que são mestres e alunos nesta vida tão temporária que vivemos, esta reflexão toca fundo por ser, apenas, tão verdade.

Nasmaste!

Bruno Piairo Teixeira

É preciso saber quando uma etapa chega ao fim… Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos de viver. Encerrar ciclos, fechar portas, terminar capítulos… Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já acabaram…
Sair daquele trabalho de anos… Terminar uma relação… Sair de casa dos pais em direção a uma nova vida… Ir viver para outro país… Aquela amizade que nos acompanhava desde sempre e que desapareceu sem explicações… Enfim, cenários não faltariam!!! Podemos passar muito tempo a tentar perceber porque aconteceu… Podemos dizer a nós mesmos que não damos mais nenhum passo enquanto não entendermos as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes para nós, para a nossa vida, serem subitamente transformadas em pó. A verdade é que isso não mais é do que um desgaste imenso para todos: para os nossos pais, para os nossos amigos, para os nossos filhos, para os nossos irmãos… todos sofrerão ao ver que estamos parados.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem. O que passou não volta: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. E se as coisas passam e vão, o melhor a fazer é deixar que elas realmente possam ir embora… definitivamente!
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa… mudar de vida!
Tudo o que neste mundo é visível são manifestações de um outro mundo… invisível, o mundo que acontece e vive no nosso coração… e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras memórias futuras possam entrar! Deixar ir embora. Soltar. Desprender. Ninguém vive o jogo da vida só para ganhar, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não esperemos que nos devolvam algo, não esperemos que reconheçam o nosso esforço, que descubram o nosso lado genial, que entendam… o nosso amor. Por vezes é importante desligar a nossa televisão emocional e deixar de assistir sempre ao mesmo programa, que mostra a forma como sofremos com determinada perda. Não há nada mais perigoso que o fim de relações, sejam elas pessoais, sociais e/ou profissionais, que não são aceites, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo!
É fundamental lembrar e recordar que houve uma altura em que podíamos viver sem o que perdemos – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode ser difícil, mas é muito importante.
Encerrar o ciclo!!! Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente já não pertence à nossa vida. Fecha-se a porta, muda-se o disco, limpa-se a casa e muda-se a fechadura.
Esquecemos quem éramos e passamos a ser…quem somos!

LDM, 2013

Qualquer Sentimento é Bem-Vindo!

Posted in Outros autores, Pensamentos & Reflexões de minha autoria on June 25, 2013 by In Defense Of Reality

Vivemos tempos complicados e tristes de alguma forma, sem dúvida. Quem tem emprego, tenta agarrar-se o mesmo. Quem não tem, procura. Quem tem e acha que está na hora de ser feliz, vai (é o caso de um jovem que conheço). Somos escravos do relógio, não conseguimos ficar deitados até mais tarde, ler um livro, ouvir uma música e sentir mesmo que naquelas palavras está o sonho de um mundo melhor. Tanta coisa para fazer e resta pouco tempo para sentir.

Acho que se pode entristecer por vários motivos ou até por nenhum motivo aparente. A tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas sempre que ela aparece, eu recebo-a, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do facto de ainda conseguir senti-la!

Para mim, e deixando de fora preferências, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, uma realização, um entusiasmo, um alívio. Pode ser uma melancolia ou por vezes uma tristeza até. É que sentir é um verbo que se conjuga para dentro. Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta.

O sentir não pode ser ouvido, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende dinheiro, contactos, diplomas, convites, aquisições. Mas até parece que sentir não serve para subir na vida, ah não que não serve!

Infelizmente, vê-se muito nos dias de hoje, que uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos anúncios dos telemóveis, das festas das cervejas nacionais que não param de competir uma com a outra, dos festivais de Verão em que não há dinheiro e o país está em crise, mas toda a gente paga entre € 60 / €90 para 3 dias. Tristeza parece uma praga, lepra, uma qualquer doença contagiosa, um estacionamento proibido. OK, tristeza não faz realmente bem à saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando nos silenciamos que melhor conversamos com os nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba por sair também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste, triste, meu caros, é não sentir nada.

Versão adaptada por mim, original da Grandiosa Martha Medeiros